"E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. 11 Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim".
Atos 17.10-12
Salve amigos, o tempo para escrever está curto devido aos muitos afazeres, entretanto estive pensando, não sei se sou eu que tenho muitos afazeres ou se somos nós que vivemos em uma época que não se tem tempoparamaisnada. Muito menos para examinar as Escrituras. Não há tempo pra isso!
Todavia, a falta de tempo não é o grande problema do evangelicalismo moderno, porque uma simples eleição de prioridades faria do estudo da Palavra uma necessidade para os evangélicos.
O problema do evangelicalismo moderno é a preguiça de pensar, queremos tudo mastigadinho. Esta é uma marca dos evangélicos hoje, ou seja, os crentes de hoje têm imitado o mundo no que diz respeito ao ensino e aprendizado (Educação). Por exemplo, nas Universidades, as pessoas que lá adentram, boa parte delas pelo menos, não têm como prioridade desenvolver conhecimento para crescimento intelectual e como decorrência crescer na vida profissional, essa não é a primeira resposta que estes dão ao serem argüidos, o objetivo maior é a obtenção do “canudo” para melhorar a vida financeira (mercado de trabalho), a conseqüência disso é que saem de suas formações sem saber nada porque o objetivo é “formar” não aprender. O objetivo que deveria ser o desenvolvimento de sua capacidade intelectual e domínio do conteúdo apresentado durante a formação passa a ser apenas a obtenção de notas que possibilitem passar nas matérias. Significa dizer que as matérias que receberam dos professores não foram analisadas, estudadas e compreendidas como deveriam, mas apenas decoradas. (quando são! ou passam na base da pesca ou do plágio). Há preguiça generalizada de pensar, de aprender, não há avidez pelo conhecimento e desenvolvimento intelectual.
As notas baixas no Provão do MEC, o péssimo nível das provas para da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), examinados que não conhecem as lei nem como interpretá-las, assim como médicos que não sabem como identificar doenças ou mesmo qual a procedimento correto para determinados procedimentos, a pouca quantidade de pesquisadores e cientistas, dentre outras coisas, têm demonstrado esta verdade.
Entre os crentes podemos perceber esse tipo de atitude na falta de conhecimento bíblico, doutrinário e histórico, além do não desenvolvemento de senso crítico. Simplesmente há preguiça de analisar o que recebem em suas igrejas, recebem todo o tipo de argumento que é dito nos púlpitos, rádios e emissoras de TV sem nenhum tipo de analise prévia (Mesmo porque, como reconhecer o erro se não conhece o que é correto?).
Graças a Deus e para nos alertar, os bereanos são um exemplo bíblico contra esse tipo de padrão. Os bereanos ao ouvirem a pregação do Apostolo Paulo receberam o seu ensino com avidez (vs.11), como quem deseja absorver todo o conhecimento que encontraram na exposição das Escrituras. Aparentemente havia umprofundodesejo de se “apossar”, de se “apropriar”, de “darouvidos” ao que procedia daquele mestre. Essa era a diferença observada por Lucas quando comparou os bereanos com os tessalonicenses, ele referiu-se aos bereanos como aqueles que tinham “nobreza de mente” (do grego euvgene,steroi; esta palavra é melhor traduzida como “bem nascidos”[1], como sendo um nascimento “superior”, ou seja, nascidos do Espírito Santo), significando que os judeus de Beréia mostravam maismaturidade e maior espiritualidade do que os judeus de Tessalônica (At. 17.1 e 10;1 Cor. 2.13-14).
Essa observação de Lucas é alicerçada no fato dos bereanos receberem o ensino de Paulocomcritério (análise); diz o texto que eles examinaram as Escrituras todos os dias para confirmar se o ensino de Paulo era realmente o ensino de Deus encontrado em sua Palavra (Vs. 11), e mais, ao analisarmos o verbo “examinando” em outros textos do próprio Lucas, ou seja, no Evangelho e emLivro de Atos dos Apóstolos[2], percebemos que ele usa a palavra grega avnakri,nwdenotando uminquéritojudicial[3], ou seja, umconjunto de atos e diligências que têm porobjetivoapurar a verdade de fatos alegados[4]. Porexemplo, é a mesmapalavra que está presentequando Herodes interrogou a Jesus (Lc 23.14-15) ou quando o Sinédrio interrogou a Pedro e a João (4.9), assimcomo,quando Herodes interroga os sentinelas a respeito do sumiço de Pedro da prisão (12.19) e quando Félix interrogou a Paulo pelaacusação de Tértulo (24.8), provando que os irmãos de Beréia buscavam de fato conhecer a verdade. No entanto é importanteressaltar, diz o comentarista John Stott, que esteverbogrego implica emintegridade e ausência de preconceito[5], ou seja, ausência de qualquer opinião ou sentimento quer favorável quer desfavorável, o desejo real é apenas obter a pura verdade.
Portanto, significa dizer que os bereanos só firmariam alguma idéia ou conceito depois de minucioso exame das Escrituras para então posteriormente confirmar
(“se as coisas eram, de fato, assim”) se era verdadeiro ou não o ensino de Paulo.
O texto ainda diz que eles faziam isto“todos os dias” (vs. 11) que Paulo falava, mostrando constância, nãosó no sábado na Sinagoga, mastodos os dias. Este ato os fazia crescer em conhecimento e experiência.
Os teólogos de Westminster compreendendo esta verdade escreveram no Catecismo Maior:
Pergunta 160: O que é exigido dos que ouvem a Palavra pregada?
R. Exige-se dos que ouvem a Palavra Pregada que atendam a elacomdiligência, preparação e oração; que comparem com as Escriturasaquilo que ouvem; que recebam a verdadecomfé; amor, mansidão e prontidão de espírito, comoPalavra de Deus; que meditem nela e conversem a seurespeito uns com os outros; que a escondam no coração e produzam frutosdevidos no seu procedimento[6].
Portanto, ao analisamos este texto percebemos que nem o oradornem os ouvintes usam as Escrituras de formasuperficial, poucointeligenteou mesmo comoumsimples texto-prova, pelocontrário, Paulo expôs as Escrituras e os judeus de Beréia as examinaram paraver se os argumentos eram convincentes.
Diante disso, não devemos receber os estudos que são pregados todos os dias sejam pelas emissoras de Tv ou rádio ou mesmo nos púlpitos e nas Escolas Bíblicas das nossas igrejas sem consultar a Escritura para ver se as coisas são, de fato, assim. Diferentemente de muitoscrentes que hoje dão mais ênfase nas “revelaçõesespeciais” dos homens do que na Escritura Sagrada e não se dão nem o trabalho de provar os espíritos (1 Jo 4.1) quanto mais analisar o que estes homens dizem à luz do Evangelho.
Amigos, a história tem mostrado que essa é a postura correta dos servos de Deus. O exemplo que podemos seguir é o do reformador Martinho Lutero, que ao analisar os ensinos romanistas observou que muitas coisas que eles pregavam não eram condizentes com o ensino bíblico. Houve então, por parte do reformador, um desejo de lutar pela verdade e de fazer jus a palavra de Deus. Ele escreveu textos que mostravam a verdadeira interpretação e doutrina bíblica, ele agiu como os irmãos de Beréia, mas infelizmente o ensino da igreja romana não passou no crivo da Palavra de Deus.
No entanto, devemos lembrar que a Reforma trouxe o “livreexame” e não a “livreinterpretação”, como tem ocorrido nos nossos dias, pois podemos ver as pessoas interpretando a Santa Escritura do jeito que querem. Devemos aprender com os irmãos bereanos e compreender que a interpretação deve sercativa do Espírito Santo e somente através da Palavra que Ele mesmo inspirou. Isto era justamente o que distinguia os de crentes de Beréia. A cerca destes irmãos disse o comentarista bíblico Simon Kistemaker:
“Os bereanos estão presentes todas as vezes que os cristãos se recusam a aceitarsemquestionar a explicação de uma passagem da Escritura, porém, examinam a explanaçãoparaconferir se ela se alinha à verdade do texto bíblico. Paraeles, a Escritura é básica, relevante e preciosa”[7].
Em outras palavras, os Bereanos queriam aprender o que Deus tem a dizeremsuaEscritura e para eles aEscrituraeramuitomais que umpergaminhoouumlivro que transmite uma mensagemdivina, para eles o AntigoTestamento era uma pedraangular da verdade que ao compararem com a pregação de Paulo puderam conferir e aferir a procedência da pregação.
Que Deus nos ajude a abandonar a preguiça de pensar.
[1] KISTEMAKER; Simon, Comentário do NovoTestamento: Atos, Vol. 2, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, 2006, p. 174.
“Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te, pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros”. Eclesiastes 7. 21-22
Amigos, não posso deixar de comentar sobre a lista dos convocados da Seleção Brasileira de Futebol. Talvez você esteja si perguntando o que isso tem haver com Deus, Bíblia, Reforma? E eu respondo: Tudo.
Ontem após o anuncio dos convocados, de propósito, saí orgulhoso com a camisa oficial da seleção. As pessoas na rua estavam revoltadas, eu ouvi as seguintes frases: “Tomara que perca!”; “Não passa da primeira fase!”; “Técnico burro!”; “A sua seleção não presta”; (E a melhor de todas) “Vou comprar a camisa da Argentina, não torço pra este time!”; dentre outras.
Tudo isso por quê? Simplesmente porque não chamaram Neymar e Ganso. Como se o simples fato de eles estarem na lista pudesse fazer do Brasil campeão.
Não quero entrar no mérito do futebol dos “moleques da vila”, isso é indiscutível, o que quero falar é sobre a força da mídia. Como esta pode influenciar as pessoas a ponto de negarem até a sua própria nacionalidade, o seu patriotismo, a sua terra, o seu chão. Chegam ao ponto de amaldiçoar e praguejar contra seu próprio país. É um contra-senso e uma vergonha!!
O mais interessante é que depois esta mesma mídia quer audiência e então começa a falar bem da seleção e todos a uma esquecem o que falaram, de que praguejaram, amaldiçoaram e passam a torcer novamente, numa total falta de senso crítico e valor cívico.
Outra coisa que a “massa” esquece é que existe um técnico que tem um esquema que depende de peças de reposição. Jogadores que foram testados, que passaram nos testes e que este mesmo time ganhou todos os torneios que disputou fazendo valer a velha máxima que diz: “Time que esta ganhando não se mexe”, isso deve ser desprezado?!
Mudando o que deve ser mudado, é exatamente assim que ocorre com o povo de Deus. Deixam de ser crentes, de amar o seu líder e aos membros da comunidade quando as suas vontades não são respeitadas, quando não concordam com a liderança que está a frente do trabalho (Sociedade interna) abandonam o grupo, deixam de ajudar, e pior, falam mal e torcem para que tudo dê errado.
Percebem? É a natureza ruim humana, pecaminosa. Uma total falta de senso de grupo, de prudência, uma total falta de juízo, entendimento, percepção, sentido.
“Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar;
mas o que sai do homem é o que o contamina”.
Marcos 7.15
Nosdiasatuais (e desde sempre na história do homem) há uma infinitude de coisas que as igrejas neo-pentecostais, similares e genéricas desenvolveram paraengrupir e enredar os menosconhecedores da Palavra de Deus. Há sabonete que limpapecados, melhora a relação do casal e de quebra abre o caminho; óleo ungido que pode ser utilizado paraungir os enfermos, ser colocado na bebida e na comida daqueles que precisam de libertação, ungir a casacontra os mausespíritos, melhorar os negócios, atrair o futuro conjugue etc., dentre muitas outras bizarrices. O interessante é que são todas formasexternasparalidarcom a impureza que há dentro do homem. Sendo que nadafora dele o pode contaminar.
Essa influência é tãoforte que nesses dias uma irmã da igreja (doutrinada, porquejá ensinei estetexto) perguntou se ela colocasse essetalóleo ungido (sabe-se láporquem...quem quiser que entenda) na bebida do maridoelerealmente pararia de bebertanto. Não pude deixar de lembrá-la o ensino de Jesus quanto à fonte das impurezas.
A perguntapululante que surge é: Será que o ato de lavar-se comsabonete (ainda que fosse de sodacáustica) oumesmobeberazeite (ainda que fosse ácido sulfúrico) o que isso afetaria nossentimentos, mente, moral e pecado do homem?
[Erram pornãoconhecer as Escrituras e o poder de Deus; Mt 22.29]
Combatendo esteensino Jesus adentra o âmago dos pensamentos e práticas dos homens revelando que todos os males procedem do interior deles mesmos contaminando-os (vs. 23). AssimEle focaliza a fonte da impureza no coração dos homens, ao contrário das tradições humanas que afirmam que as influênciasexternassão a causa da "impureza". (Entenda “influênciaexterna” comofamília, doença, violênciafísica, estupro e toda e qualquercoisa que proporcione um desenvolvemento de umdistúrbiomentalgraveem uma pessoa; podendo apresentarcomportamentosanti-sociais e amoraissemdemonstração de arrependimentoouremorso, incapacidadeparaamar e se relacionarcom outras pessoascomlaçosafetivosprofundos, egocentrismoextremo e incapacidade de aprendercom a experiência; em uma únicapalavra:psicopatia, o que paramim é sinônimo de Pecado).
Neste texto do Evangelho de Marcos, Jesus denomina algumas coisas que procedem do coraçãohumano e que contaminam o indivíduo; ele menciona doze pecados. É interessante notar que os primeirosseissubstantivossãoplurais, referentes aos sucessivosatospecaminosos, à medida que estes emergem da fonteinterior da corrupçãohumana; as outras tendênciasmais sutis para o mal que se seguem estão no singular (v.22).
Devemos entender que Jesus não pretende fazer uma listaexaustiva de pecados, massimfazercom que os seusdiscípulos entendessem o seuensino e pudessem identificar o que os seusinteriores podem produzir, a saber: mauspensamentos (dialogismoi, "imaginações más", cf. Tg 1.14-15), nestes se enquadram diversas ações e vícios degradantes; Imoralidadesexual (porneiai, geralmente traduzida por "fornicação"); Adultério (moicheid) que é a infidelidade conjugal; roubo, aqui Jesus apresenta de duas formas, roubarpropriedadealheia (klopai), e assassinato (phonoí) que é roubar a vida de alguém; Cobiça (pleonexiaï) que é o desejoardente de possuir o que pertence a outros; Malícia (poneriaï) descreve a pessoa que persegue ativamente o malcom o desejo de prejudicar outras. Como Satanás (o "maligno", poneros).
Os seissubstantivosseguintes referem-se a víciosemsimesmos, começando com o engano (dolos, "dolo"); lascívia (aselgia, "indecência, devassidão") significa ressentimento contra todas as restriçõesmorais e sociais; Inveja (ophtalmos poneros) que significa, literalmente, "umolharmaldoso"; Difamação (blasphemia) que pode ser uma faladifamatóriaou abusiva contraoutrapessoa; Arrogância (hyperephania) que é o desprezopelosoutros, orgulho, e o ultimo pecado da lista, loucura (aphrosyne) não se referindo à debilidade mental, mas ao homem que nãodesejasabernadasobreDeus.Observando esta lista podemos entender o motivo de tanta maldade praticada pelos homens que aparecem todos os dias nos tele-jornais.
De acordocomesteensino de Jesus estessentimentosnão podem ser corrigidos pormeio de umritual de limpezaoupor uma dieta de alimentos; não podem ser controlados pelas leis (civis ou religiosas; cf. Mc. 7.7-13) por que sãoparte da natureza decaída do homem. Eles vêm "de dentro do coração" (v. 20). Essa é a diferençafundamentalentre o reino de Deus e o judaísmofarisaico, ou seja, o que é meramenteexternonão pode purificar (lavar as mãos Mc 7.2-4), assimcomo o que é meramenteexternonãotornaimpura a naturezaespiritual do homem (comer Mc 7.18-19, ver também Mt. 15.1-20). Em outras palavras, a naturezamoralhumana é a fonte da impurezamoral. Sendo o que contamina o homemnão é o que entra nele (alimento), massim o que sai do íntimo dele (palavras, sentimentos, valores).
Retomando o que começamos, a crençapopular diz que se deve tomarbanhosparaafastarmalolhado (inveja), colocarpedaços de alho espalhado pelacasa, sal, e pimenta, lavar-se emrios, inclusive o Jordão em Israel, para se purificar, comerNhoquecomum dólar embaixo do pratotrazersorte e fazermaisummonte de outras coisasexternas, contudo o ensino de Jesus étãocontrário a todosestesconceitospopulares que não há como deixar-nos envolverporesseengodo. Quando caímos nesse falsoensino é porque esquecemos das palavras de Jesus; ouporque preferimos traçar o caminhomaisfácil de limpar as mãos externamente do que o difícilcaminho de limpar o coração abandonando o pecado.
Portanto o únicoremédiopara livrar-se do pecado e purificar as nossas vidas é umnovocoração, purificado pelosangue de Jesus e habitado peloEspíritoSanto de Deus. Não há outra forma, as demais são invenções humanas que tentam invalidar a Palavra de Deus (Cf. Mc 7. 6-13). Não devemos esquecertambém que tantopensamentoscomocondutasãoimportantesparaDeus e que nenhum dos rituaisreligiosos do mundo pode mudar o coração de uma pessoa. Mais uma vez a únicaforma é o evangelho de Jesus Cristo que trabalha o homem de dentroparafora, provendo a motivação internanecessáriaparaadquirircaráterjusto e para livrar-se "de todaimpureza e acúmulo de maldade" (Tg 1.21). Aquele que experimenta o governo de Deus em sua vida é capaz de viver num planodiferente, pois "o homembomtira boas coisas de seubomtesouro" (Lc 6.45).
Que Deusnos abençoe.
Nota: Adaptado do texto de Dewey M. Mulholland, Introdução e Comentário de Marcos, Ed. Vida Nova, p. 119-122.